sábado, 31 de março de 2018

A importância de sermos inteiros

Imagem algures do We Heart It


Costumava achar que havia um fatalismo quando começamos uma relação com alguém: ou corre tudo bem, e dura para sempre. Ou, por algum acaso dos tempos e da vida, as pessoas afastam-se, cortam relações, ou simplesmente desaparecem da vida umas das outras. Atenção que falo aqui do conceito de “relação” num sentido mais lato do que o meramente romântico. Incluo aqui relações interpessoais de qualquer tipo: familiares, com amigos, colegas de trabalho e, eventualmente, alguém com quem partilhámos algo íntimo ou romântico.

Tal como estava a dizer, achava que esse era o único fatalismo de uma relação. No entanto, tendo em conta que já tive a minha dose de afastamentos de pessoas da minha vida, acrescento outro tipo de desgraça: ficarmos a gostar de coisas que começámos a gostar por causa de determinada pessoa. Dando o meu exemplo: é-me impossível ouvir música electrónica sem me lembrar perfeitamente de quem me introduziu esse gosto. Da mesma forma, a série Skins está bastante marcada num determinado período da minha vida e associada a uma pessoa em específico. E isso nem sempre é mau, podemos recordar com carinho, caso tenha sido uma separação natural. Ou, se a lembrança for menos boa, podemos simplesmente assumir que agora esse nosso novo “gosto adquirido” é 100% nosso e esquecer quem no-lo trouxe.

De qualquer forma, e não querendo parecer uma loba solitária, é por isto mesmo que acho importante que nos formemos enquanto indivíduos unos. Isto é um bocadinho redundante, não é? Indivíduos unos. Mas o que quero dizer é que é importante passarmos tempo sozinhos, conhecermo-nos a nós próprios, à nossa personalidade e saber aquilo de que gostamos. Eventualmente mais alguém irá sair da nossa vida e vamos acabar por precisar de nos refugiar algures, para podermos encher a cabeça de coisas que não nos tragam memórias dolorosas.

Apesar de haver muita coisa da minha vida que aprendi a gostar devido a outras pessoas, tenho de confessar que, de uma maneira geral, acho que as minhas coisas preferidas eu descobri sozinha. E é a elas que volto quando não estou nos meus dias. Então hoje trago-vos uma pequena lista das coisas que são só minhas e que gosto por mim e para mim:

- Ouvir Lana del Rey
- Ver os vídeos antigos dos Gato Fedorento
- Ter hábitos de leitura e gostar da companhia de um livro
- A série Mad Men
- O Game of Thrones
- Caraças, até o Riverdale
- O Twitter
- Tudo relacionado com a área da comunicação, marketing digital, etc e tal
- Escrever
- Gostar de cinema mais indie
- Querer aprender italiano
- Maquilhagem
- Toda a temática do veganismo e ambientalismo
- Feminismo
- Astrologia e umas cenas assim mais esotéricas (uuhuuu)
- E muito mais…

Posso até conhecer pessoas com quem partilho estes gostos e estes tópicos de conversa. E ainda bem! Mas, se essas pessoas forem embora, sei que na essência são coisas minhas, que eu aprendi a gostar e que me acalmam e fazem feliz. Como apanhar conchinhas na praia e guardar num frasco, no quarto. Desculpem, é que já estou a ressacar com falta de Verão.

E vocês? Quais são as vossas coisas que vos fazem sentir inteiros?

1 comentário:

  1. Que bonito, acabei de descobrir esta tua partilha através do blogue da Sofia, asofiaworld.com, e não podia estar mais contente por ter vindo aqui parar, como lhe disse, acho mesmo importante termos coisas nossas e sabermos passar tempo sozinhas sem nos sentirmos abandonadas.
    Também acho importante termos o discernimento certo para recordar as coisas que outros nos fizeram gostar sem as descartar, porque, elas são mais que as pessoas que se foram embora, porém, percebo perfeitamente o que tentavas dizer.
    Uma das coisas que mais gosto de fazer sozinha é caminhar, exercitar, este gosto descobri-o inteiramente sozinha e dá-me um prazer gigantesco!

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